2020 Volts

Monkey Jhayam feat. Afrocidade em: “2020 Volts”

O ano de 2020 refletindo em um som.

A letra da 2020 Volts, denuncia a onda de informações falsas, famosas fake news que se espalham facilmente através de mensagens via celular, manipulação de dados e todo o fluxo de rede coletado por empresas mal intencionadas que visam controlar a massa. Massa essa, que inclui todos os cidadãos. “Tô no meio do moio também”, cantam
Monkey Jhayam e MC DO, vocalista do combo baiano Afrocidade e também skatista, está sempre pelos picos de skate de Salvador.

O som é a trilha sonora perfeita para um carnaval político ou uma roda de pogo afropunk.
A letra retrata o infeliz momento do Brasil: desde o discurso fascista do poder executivo,
passando pela destruição sem precedentes do meio ambiente até o genocídio
nas quebradas e o descaso com a saúde e a ciência.

 

 

Monkey e MC DO do Afrocidade já tiveram brilhantes vivências na cena do skate.

“Minha proximidade com o carrinho é influência do meu tio Daniel Katito, lembro como se fosse hoje de eu ainda criança e ele assistindo os vídeos da 411, da coleção de revistas da Tribo e Skatemag, das trilhas sonoras das VHS que tocavam desde hip hop ao rock, até hoje eu coloco esses videos pra assistir e por incrível que pareça eles me inspiram e ainda trazem várias referências musicais. Em uma dessas visitas ao “Katito”, ele praticamente “Abriu o portal” hehehehe. Jogou na mesa os cds de três grupos, Rage Against the machine, Beastie Boys e Cypress Hill. Foi flecha certeira, depois daquele dia minha vida mudou.

Eu nunca cheguei realmente a andar de skate, mas sempre estive no role de rua, minha última relação com o carrinho foi uns dois anos depois da reforma da pista de São Bernardo, lembro que por pura emoção sentindo o vento na cara, cai de gaiato no “Bowl”, não soube sair e fui de frente com a parede…hehehe fiquei uns minutos sem conseguir respirar depois daquilo nunca mais senti a adrenalina da remada correr no meu sangue, mas, a música e o skate tem tudo a ver casamento perfeito. Junto com meu mano grafiteiro Lopá em meados de 2008 organizei o primeiro Campeonato de Skate no Ceu São Rafael, ja toquei em diversos campeonatos e pistas de skate e durante 2 anos cuidei da “Eclipse Skate Park” que ficava no bairro em que nasci “Parque São Rafael” em São Mateus, Zona Leste de São Paulo. Essa experiência de trabalhar dia a dia cuidando dos horários, da loja, da pista, foi minha vivência mesmo do Sk8. Lembro de alguns nomes como Chumbinho, Bruno Zani, Chibata, Sandro Rafael entre vários que eram do bairro e nós fazíamos questão de apoiar, fico muito feliz em acompanhar hoje também o progresso deles como profissionais do esporte. Vale lembrar que a pista foi iniciativa do meu mano Ale Neguinho, old school do skate que após várias tentativas fracassadas com poder público de um apoio para construção de um local para entretenimento na quebrada, investiu do próprio bolso. Durante muitos anos a sessão de Skate era na loja dele mesmo “Eclipse Skt Sound”, depois do horário do expediente espalhava os obstáculos no salão e reunia gera para sessão de descarrego. Hoje a pista não existe mais, mas a semente que foi plantada naquele solo rendeu bons frutos pra juventude que frequentou. Bons tempos.

 

 

Sinônimo de liberdade, equilíbrio e raciocínio. Nas periferias da cidade o Skate, assim como o hip hop e todos seus elementos tem um grande papel de resgatar os jovens em situação de vulnerabilidade social. Na época que não tinha pista no meu bairro, tinha um mercado que deixava a galera andar no estacionamento. Isso em meados de 2000 eu era moleque e já sabia que se quisesse tromba toda a rapa, era só colar lá quando o mercado fechasse, sempre tinha boa música rolando, boas ideias, novas edições das revistas, troca de informações, resumindo, aquela era a verdadeira “Rede Social”, o google/whatsapp da época. Eric Balboa entre vários outros passaram por lá até proibirem a galera de andar.
Através desse ciclo do skate, tive meus primeiros contatos com Vernissages, Shows, lançamentos de revistas e exposições do “outro lado da cidade”, Galeria Choque Cultural, MIS (Museu da Imagem e do som) entre outros lugares ali por Pinheiros, Vila Madalena, me lembro muito bem da exposição de Osgemeos na galeria Fortes Vilaça. Bons tempos de muitas descobertas e muitos aprendizados.
Admiro e respeito muito os amigos que continuam com a “Fé na tábua” afinal skate, além de um esporte, é uma arte, é um estilo de vida, assim como na música.”
palavras de Monkey Jhayam.

“Eu sou skatista, ando de skate já há um tempo e foi através do skate que eu me conectei com a música, se eu to aqui falando contigo, prestes a lançar esse som, fazendo música com Afrocidade foi graças ao skate. O skate é minha fonte de inspiração pro processo criativo da música também. Eu tô na rua, observando todo cotidiano e transmitindo através do som, das idéias, como skatista na sociedade. Eu saio com o meu skate, vejo coisas, observo coisas que me inspiram a escrever. Sempre

 

 

O skate é uma cultura subversiva das ruas que vai além dessa linhagem de esporte e competição, essa relação social que o skate tem de conectar o branco e o preto, o playboy e o favelado, é essa cultura de subversão mesmo, de entender a sociedade além dos padrões. É onde acontece esse encontro, o skate tem essa magia de conectar a galera do rap com a galera do rock in roll, a galera que é de qualquer tribo ou linguagem musical, através da ressignificação mesmo das tribos, tudo em prol de uma só vivência que é o skateboard. É a forma de como se enxerga a urbanidade das ruas com a visão artística e fotográfica, é ver as ruas de forma abstrata, além da geografia padronizada da urbanidade, a gente nunca enxerga uma praça com um banco como uma sociedade normal enxerga que é pra sentar naquele banco ou então só estar de passagem em uma praça ou uma arquitetura ali qualquer da cidade, a gente sempre enxerga como uma arte, vai virar uma fotografia, vai virar um vídeo, tem o céu com a pigmentação de cor, com as estruturas das arquiteturas que tem naquele lugar, com as cores das roupas que o cara ta usando, com a expressão do corpo que o cara ta fazendo, com a manobra, a gente sempre ve que aquilo ali vai virar um vídeo, uma fotografia, uma arte, é isso, skate é essa parada, infinito né? Essa infinitas possibilidades que o skate traz como uma visão artística de criação, essa fonte de criação do skate é muito infinita, esse processo de conexão com sua própria expressão criativa. E tem um lance que o skate me ensinou muito enxergar que é como se portar as dificuldades da vida, os obstáculos da vida, aquela parada de sempre enfrentá-los com aquela vibração positiva, aquele lance interno que é sempre você por você, o skate me fez acreditar mais em mim, que é aquilo, quando você tá numa sessão, você manda uma manobra, tenta uma trick, tá ali com os amigos, fez a trick, o skate te traz a possibilidade de se encontrar com uma potência própria, em uma posição que só você tá, em um lugar que só você tem, que é em cima do carrinho, que ali no individual e ao mesmo tempo que é um esporte individual e faz você se conectar com essa força interior, com essa força de falar eu posso, agora é um baguio que só depende de mim, também tem a força e a energia dos amigos, das amizades que tão em volta ali torcendo por você. Então é o indivíduo fazendo parte do coletivo né, é tipo você é um deus e o deus é um coletivo também. Skate é isso tudo.” Palavras do MC DO (Afrocidade)

 

 

@afrocidade
@monkeyjhayam

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Arte: @shiron_the_artist

Ficha técnica:
Voz: Monkey Jhayam
Voz: Mc Do
Percussões: Marcio Manchinha e Eric Mazzone (Afrocidade)
Contra Baixo: Danilo Tael
Teclas e synths: Marcos Mauricio
Guitarra: Fal Silva (Afrocidade)
Produção, programações e efeitos: DJ B8
Mixagem: Marcos Maurício
Masterização: Leandro Silva (Kafofu Records)
Distribuição: Ditto Music Brasil
Produção executiva: Rafael Ruffah
Assessoria de imprensa: Nathalia Birkholz (Tropi.Press)

Matéria por: @karmelliedmann