Base Sonora 020 Shin Shikuma

 

A lenda da fotografia brasileira de skate Shin Shikuma tem um baita histórico com arte, mesmo que vc não tenho noção disso. Veja a história do curta metragem VAZIO que ele fez em 1984 e lançou esses tempos pelo instagram dele. Flavio Samelo conversou sobre isso e muito mais com Shin, não vacile!

O nome Shin Shikuma é uma lenda no skate brasileiro. Pouca gente sabe que o fotógrafo entrou pela fotografia pela arte quando cursava artes plásticas no começo dos anos 80. Nesse começo, além da pintura com nanquim que remete seus antepassados orientais, Shin seguiu cinema, numa época onde vhs era MUITO raridade, a coisa era com filme super-8, pelicula, outra ideia, não era a facilidade que temos hoje.
E numa dessas experimentações em 1984 ele produziu um filme mudo em super-8 que saiu do baú agora em 2020 em plena pandemia e o tema é totalmente atual, o questionamento do conceito de Vazio.
Compartilhado pelo igtv em sua conta do instagram, o filme VAZIO traz o começo da estética que o Shin traz até hoje em todos seus trabalhos, principalmente nas pinturas que ele voltou a fazer uns anos atrás.
Aproveitando também a onda de rever produção, se reinventar, a internet ta sendo o canal favorito one vc pode ver toda essa produção de pinturas, fotos, o filme e também sua nova empreitada que é a Black Box, marca onde ele produz camisetas com suas artes estampadas. Ele segue pesquisando, produzindo e seguindo novos rumos, inspirando novas e novas gerações. Obrigado pela caminhada Shin.

 

 
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Entrou o ano de 2020, e com ela veio uma inesperada mudança. Os dias passando como um looping infinito e muitos pensamentos, reflexões e sentimentos se misturam ao cotidiano. Em meio a essa guinada em direção ao isolamento, me veio a memória um filme em Super 8 de cinco minutos que fiz nos anos 80. Filme onde procurei expressar sentimentos e visões recorrentes que ainda hoje carrego comigo.
Consegui resgatar esse filme que não se perdeu no tempo, apesar das muitas mudanças da minha vida. Agora, 36 anos depois, esse manifesto que fiz ainda jovem e com total espontaneidade, se apresenta como foi feito, sem concessões e amarras de nenhuma espécie.
Vejo agora como as marcas do tempo na película, acrescentam uma expressividade maior as imagens e percebo que o sentimento filmado ainda persiste e necessita ser visto.
Um misto de nostalgia e contemporaneidade surge inesperado, meu legado esquecido ressurge como uma mensagem que ecoa no presente, e dialoga com esse cenário dominado pelo medo e incertezas que nos encontramos.

 

 
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CAMINHANDO NO VAZIO
Por 36 anos o personagem desse filme continuou vagando em seu labirinto existencial.
Em 2020, no meio a uma enorme crise da humanidade, esse pequeno filme em Super 8 ressurge.
Poderia ter sido uma pintura, ou qualquer outra forma de expressão artística, mas foi um filme que prevaleceu, e como tudo tem seu tempo, chegou o momento de ser visto.
Existe uma conexão entre o ficcional e a realidade atual. Esses dois mundos se chocam e interagem, e nos dois casos, o mergulho e o olhar para seu abismo pessoal se faz presente.
Dentro de cada um de nós reside a destruição ou a salvação da humanidade.

 

 

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CRIANDO VAZIO / PARTE 01
Anos 80, estudava desenho, pintura e fotografia, era um tempo de experimentação e eu alimentava sonhos.
Foi quando, motivado pela paixão pelo cinema, e dominado por um sentimento de urgência em fazer, decidi produzir um curta metragem.
Comprei uma filmadora alemã Bauer, um editor, um projetor, e algumas películas de Super8 em rolos de três minutos.
Queria um filme monocromático e mudo, com um personagem apenas. Um amigo meu topou viver o personagem, pois pertenciamos a uma geração onde só pensávamos em fazer e fazer, seja o que for.
Munido de uma filmadora, sem experiência alguma, e com um roteiro feito intuitivamente, partimos para a realização.
Invadimos uma região de trilhos de trens na Barra funda, nos finais de semana e em dias nublados, para dar o clima exato, e um lixão, na Serra da Cantareira, onde o fogo e o lixo queimando foram elementos alegóricos essenciais.
Sempre me identifiquei por indivíduos à margem, outsiders que em sua condição, inspiravam diversos pensamentos e insights criativos
Então desenvolvi um roteiro onde realidade e sonhos se mesclam para expressar essa condição limite.
( continua no próximo post )

 

 

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CRIANDO VAZIO / PARTE 02
No início dos anos 80, estava disposto a apertar todos os botões e ver o que acontecia, o país recém saído das trevas da ditadura, nos provocava em viver intensamente.
Em um novo Brasil, as limitações que existiam eram desafios, pertencia a uma geração que sabia exatamente a importância do momento.
Esse filme inserido nesse contexto, é fruto da angústia desse momento, essencialmente fala de sentimentos humanos, e por isso adquire uma condição atemporal, foi um manifesto honesto e espontâneo, que realizei ainda jovem e não diluído pelo tempo e pela velhice.
Na sua imperfeição reside sua maior qualidade, pois assim somos e na juventude não escondemos isso.
Após ter feito esse filme, minha vida tomou um novo rumo, fui viajar com uma produtora de filmes da Boca do Lixo, e me envolvi com a fotografia intensamente.
Então esse filme foi engavetado e esquecido.
Trinta e seis anos depois, resgatei esse filme, inspirado nesse momentos de isolamento e crise que se instalou.
Podetia ter se perdido, mas ressurgiu ainda vivo, com muitas marcas do tempo, com alma, e o ser que habita na película, continua vagando em seu labirinto existencial, apesar de todo o esquecimento.
Com a intenção de apresentar esse filme pela primeira vez, foi feito uma trilha sonora pelo músico Marcelo Armani que produziu uma trilha com desenhos sonoros experimentais, que casou perfeitamente com o filme.
Quando penso nessa trajetória toda, no tempo de suspensão, da realização até esse momento de edição sonora e finalização, entendo que somos apenas veículos de certas mensagens que surgem em um momento, mas só vão chegar ao destino em outro tempo, está fora de nosso controle.
Mas uma coisa é certa, o que você faz hoje, vai repercutir no amanhã.

 

 

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VAZIO
Filmado e editado em Super8 no ano de 1984, ficou 36 anos perdido e esquecido no tempo.
Num momento onde reflexões sobre a epidemia e isolamento se tornaram intensas, foi resgatado, digitalizado, sonorizado e finalizado em 2020.
Um misto de nostalgia e contemporaneidade surge inesperado.
Um manifesto fílmico feito na juventude, onde o onírico e o real se misturam na caminhada de um homem em seu labirinto existencial.
Um legado esquecido ressurge como uma mensagem que ecoa no presente, e dialoga com esse cenário sombrio de medos e incertezas que nos encontramos.

 

 

Roteiro e Cinematografia / @shishikuma

homem / Carlos Pita

desenho de som e trilha / @marcelo.armani

agradecimentos / @jerrirossatolima / @jsql13 José Marques de Carvalho Jr

filmado e editado em 1984 / sonorizado em maio de 2020

O filme também lançado pelo @observesempre , um espaço dedicado a reflexão