Coyote Beatz, “Nu” e skate

No começo de março, o rapper Djonga lançou seu último álbum, o “Nu” e foi sucesso instantâneo, como é comum com as coisas que ele solta. Mas como a gente é curioso, a gente foi atrás não só de saber sobre o álbum, mas de quem fez acontecer com ele até aqui.

 

Nosso convidado de hoje é o beatmaker Coyote Beatz, que foi responsável por diversas colaborações com o Djonga, inclusive nesse último álbum. Falamos sobre o Nu, sobre skate, sobre família e muito mais. 

Tem áudio e texto! O podcast Base Sonora da VISTA com o Coyote teve a participação de Felipe Flip como o apresentador. Já o texto você lê aqui embaixo, na íntegra.

 

Ouça o Base Sonora #21 com o Flip entrevistando o Coyote aqui: Base Sonora no Spotify

 

Leia nossa entrevista exclusiva com o Coyote aqui:

 

Salve Coyote. Conte um pouco, para quem não sabe, como é a relação da sua família com o skateboard e a cultura.

Essa relação começou com meu pai, ele anda desde os 12 anos, eu acho, e eu e meu irmão meio que já bebemos dessa fonte desde cedo.  Ele e minha mãe nos levavam desde crianças para campeonatos e sessões de skateboard!

Meu irmão é o Jefferson Bill e sempre buscamos trazer coisas para andar em casa também, tipo palquinho e corrimões, rampas etc.  Quando a gente não estava andando de skate na rua ou na pista a gente fazia nossa própria “casa” de pista! 

Depois veio o Hugo Blender, que é o meu irmão caçula, e as coisas começaram a ficar mais sérias, chegamos até a mudar de cidade por causa do skate. Então desde sempre ajudou muito minha família e ainda ajuda! Eu falo um pouco disso no mini doc que lancei no Youtube, que conta um pouco da minha vida no geral e foi dirigido por Tulio Cipo.

 

 O skate influencia no trabalho como beatmaker?

Muito, porque através do skate tive o conhecimento dos beats. Tiinha muita vídeo parte com som instrumental e eu sempre achei isso muito foda! 

Foi através do skate que comecei a produzir.  Eu sempre filmava os role de skate com minha família e amigos e sempre fazia a edição dos vídeos, isso me ensinou muito a mexer com programas de computador nesse lance de editar. Eu meio que já abri a mente para produzir música e, com esses vídeos, eu precisava usar trilha sonora, né? Aí surgiu a vontade de começar a fazer as minhas próprias trilhas.

O mais louco é que meu pai também é envolvido com música; ele sempre tocou baixo tem banda “Os Contras” e sempre teve estúdio em casa. Ao mesmo tempo que cresci respirando skate cresci respirando música e isso me ajudou muito na hora de começar a produzir.

Mais tarde eu comecei a levar meus CDs de beat pros rolês e a  galera curtia muito! Foi aí que começou o lance com os beats.

 

Ainda sobre skate, como foi a experiência de construir a trilha sonora pro vídeo Horizontes?

O lance de produzir música para vídeo de skate é louco porque posso explorar um campo diferente de ideias, não existe um caminho certo. Por exemplo, em uma vídeo parte, o cara uma hora está pulando escada gigante e depois tá andando num manual, tá ligado?

Eu fico muito feliz quando tenho a oportunidade de trampar com pessoas que eu gosto e admiro. O trampo no Horizontes foi da hora, um vídeo muito foda, real skateboard.

 

Em algum momento você teve que escolher entre dedicar a andar de skate e continuar fazendo os beats?

Morei em Curitiba por uns 4 anos e comecei a fazer beat lá. Em 2007, voltei para Belo Horizonte e chegando aqui eu estava sem patrocínio na época e já estava na pegada mais “for fun” do skate, só queria andar sem compromisso e não colar muito em campeonatos.

Apesar de ser um momento pra trombar muita gente especial que fizeram e fazem parte da minha vida pela vivência do skate, eu meio que já não queria fazer parte do “game”. Então quando voltei, vi uma oportunidade boa aqui em BH de começar a tocar em festas e colar em estúdios profissionais.

Quando eu fui ver, já tinha grupo formado, shows pra fazer… Foi tudo acontecendo muito rápido, comecei a morar sozinho e as coisas foram mudando pra melhor pra mim, no sentido de estar andando de skate com os amigos e fazendo música em casa. Na época até montei meu home estúdio e aí  as coisas começaram a ficar mais sérias.

 

Tem alguma música ou algum grupo específico que te fez pensar: “é isso, quero fazer beat”?

WUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU TAAAAAAAAAAAAAAAANNNNNNGGGGG

 

Haha, com certeza o Wu Tang Clan influenciou todo e qualquer skatista. Agora falando um pouco sobre hoje em dia. Fala um pouco sobre sua relação com o Djonga. Como vocês se conheceram e como é o trabalho de vocês hoje?

Conheci o Gustavo no centro de BH através de outros amigos em comum e a gente começou a andar muito junto desde então, ele sempre colava nos role que eu tocava e sempre tava no duelo de mcs.

Em seguida eu chamei ele pra colar na minha casa pra fazer seu primeiro EP, isso foi no início da carreira dele, acho que ele só tinha uma música gravada! Na época ele andava muito com o Hugo de skate. 

Depois da gente já ter um tempo de amizade, formamos o grupo DV Tribo com outros amigos e desde então a gente sempre esteve junto, seja no DV ou nos shows solo dele. Foi tudo muito natural, nossa química é foda.

 

O que você ouve fora rap? Esses outros estilos te influenciam também na hora de fazer música? 


Gosto de música boa, não importa o gênero. Eu sempre estou ouvindo coisas que já ouvia na infância e, ao longo do tempo, comecei a colecionar Vinil. Tenho de tudo um pouco desde Jazz calmo a um Punk Rock!

 

Pô, que dahora! Tem algum som doido que você já sampleou?

 

Acho que depende do momento. Já teve vez que depois do role de skate vi um cara batucando numa lixeira na rua fazendo um groove muito foda , gravei e ja fiz o beat no celular.

A viagem do sample é isso: não tem certo ou errado, o que importa é o momento e a inspiração na hora.


Pode crer. E qual sua música favorita no “NU” e o que você tá achando da reação do público com essa última pedrada sonora que vocês lançaram?

 

Minha música favorita do álbum NU é a música Ricô com participação do Doug Now. Ela tem sample brasileiro e tem uma vibe diferente, gosto muito de samplear coisas brasileiras. 

E o jeito que a música se formou através da sessão no dia foi muito foda. Doug e Djonga quebraram, foi tipo aquelas sessões perfeitas.

 

Para encerrar falando de skate, fala uma manobra e um pico dos sonhos!

Puts, para mim tem vários picos dos sonhos, mas um que sempre fica na memória quando imagino em qual pico queria andar é a escada da Love Park. Queria dar um Varial Flip lá bem gangsta! 

 

Fotos: Iulle