Diego Sarmento – Desert Skate Rock

O Deserto de Paracas é um lugar místico e mágico, envolvido pela cultura de uma das civilizações mais intrigantes do antigo Perú. Um lugar onde as águas geladas do Pacífico encontram a imensidão do deserto e seus ventos fortes esculpem as rochas com formações impressionantes. Um lugar onde a natureza prevalece e surpreende.

Grande parte desse deserto de difícil acesso se encontra na Reserva Nacional de Paracas com uma extensão de 335.000 hectares entre terra firme, ilhas e mar, localizado a cerca 250 Km da capital Lima. A reserva abriga mais de 200 mil espécies de flora e fauna silvestre. Além de muitos tesouros da cultura Paraca, especializada em artefatos têxteis, cerâmicas, trepanação craniana e mumificação de seus mortos.

O que ninguém poderia imaginar é que este lugar poderia proporcionar uma incrível e deslumbrante
sessão de skate. Somente o olho de um skatista poderia alucinar e encontrar um lugar como esse,
através de toda aquela areia, pedras lapidadas por alguma razão inexplicável pela natureza formando um verdadeiro parque de diversões para um skatista, o Skatepark Ancestral de Paracas, talvez a Skatepark mais antigo do mundo.

Diego Sarmento – Desert Skate Rock
Diego Sarmento – Desert Skate Rock
Diego Sarmento – Desert Skate Rock
Diego Sarmento – Desert Skate Rock
Diego Sarmento – Desert Skate Rock

_A Aventura

O fotógrafo Diego Sarmento e os skatistas brasileiros Biano Bianchin, Daniel Crazy se juntaram a mais 7 integrantes locais e começaram a viagem que os levariam a um local mágico, pouco explorado e conhecido, Paracas Skatepark Ancestral (rochas esculpidas pelo vento no meio do deserto que formam tipos de obstáculos, como uma skatepark) assim chamados pelos descobridores do local. Entre eles estava o guia da expedição, um bom conhecedor da região, isso porque, ele prestava assistência técnica ao Rally Dakar, que já teve uma das suas etapas realizada nesse deserto. Além de uma pessoa que conheça o local é necessário ter uma estrutura bem específica para esse tipo de jornada, pois encarar esse deserto não é uma tarefa fácil e sem isso se torna quase impossível achar o local.

A aventura começou as 19 horas, saindo de Lima, foram cerca de 4 horas de estrada até a Reserva Nacional de Paracas, depois mais 2h 40min de intenso rally com caminhonetes 4×4 por sinuosos caminhos sem estradas, na escuridão da noite até o estremo sul da reserva. Chegando ao local, em algumas horas montamos toda a estrutura para o acampamento próximo a praia em busca de abrigo dos fortes ventos e do calor que estaria por vir assim que amanhecesse. Ali passamos a noite observando as estrelas, uma visão única do infinito espaço e suas constelações que pareciam tão próximos e brilhantes como se pudessem ser tocadas.

Depois de uma longa noite o sol apareceu com seu calor e nos fez sair das barracas nos conectando diretamente aquela atmosfera, caranguejos, lagartos, flamingos e leões marinhos foram algumas das peças desse espetáculo da natureza, além da paisagem única, de um lado o oceano do outro montanhas e dunas de areia infinitas

Assim passamos o dia até a hora mais esperada, levantamos acampamento em direção ao spot. As rochas esculpidas pela areia e o vento formam rampas e chão liso, propício para a sessão de skate e fazendo jus ao nome Paracas Skatepark Ancestral. A sessão durou até o sol se por, parecia pouco tempo para explorar o inexplorado. Até hoje, o local foi visitado apenas 4 vezes por skatistas. Vários já tentaram ir, mas esse secret spot ainda é para poucos. “Foi épico! Nunca imaginei que um dia o skate me levaria ao lugar tão distante, alucinante e inusitado. Andar de skate no deserto foi como conhecer a lua, oportunidade dos sonhos que ficará marcado no meu subconsciente para o resto da minha vida, um grande privilégio”, finaliza Biano Bianchin.

Veja também a matéria sobre essa aventura que saiu na Vista 065

Fotos por: Diego Sarmento
Skatistas: Biano Bianchin e Daniel Crazy