Guerreiros Do Asfalto

“Guerreiros do Asfalto” – skate + dompa. Esse é o nome do brabo. Do vídeo, no caso, do pessoal da VIDALOCAGI, que você já viu por aqui com outras produções como “Fonda-se O Nível” (e sua câmera HD). Aqui o pessoal segue a mesma premissa do descompromisso com o compromisso, da subserviência ao prazer que o skate e as ruas proporcionam. Nada mais? Muito mais, mas aí é com você assistir essa obra (POR QUESTÕES DO YOUTUBE, NÃO ROLA COLAR ELE AQUI, VOCÊ QUE TEM QUE COLAR LÁ) e se ligar na mensagem da galera que participou.

Arte por Pedro Ventura.

Arte por Raphael Guga e Pedro Ventura,

Arte por Pedro Ventura.

Arte por João Novello.

Pedro Ventura (Ace)

A gente já estava filmando logo depois que terminamos o vídeo “Ainda Bebel”, em 2018. Nunca deixamos de produzir vídeos, e inclusive ainda estamos filmando… Aquela tradição de skatista com câmera, haha. A ideia do vídeo veio naturalmente com as coisas que a gente já fazia. Sempre gostamos de provocar e a forma de provocar vai mudando conforme vamos envelhecendo. Seja com “músicas zuadas” lá em 2011, seja com beijos em 2020. Em particular, em 2019, o ano que gravamos a maioria do vídeo, foi quando eu comecei a experimentar tudo que me apareceu na frente, seja drogas, bissexualidade e até nollie heelflips (esse último me deixou mais surpreso). Dessas experiências surgiu a ideia de incluir um pouco disso no “Guerreiros do Asfalto”, que a princípio seria lançado logo em 2019. Porém, com a chegada da pandemia, acabamos adiando a produção do vídeo. Já tínhamos muitas imagens salvas, mas ainda queríamos fazer mais. Infelizmente não deu, tive que mudar um pouco meus planejamentos e acabei jogando o lançamento para o final do ano. O que me deu tempo de pensar no que incluir. Acabei incluindo tudo. Em primeiro lugar, o vídeo tenta mostrar o que foi aquele ano para nós; editei o vídeo pensando nos meus amigos assistindo. Depois, é claro, adicionei um toque de humor irônico (ou pós-irônico) ao vídeo, pensando em como o pessoal de fora iria reagir. E pelo menos cara a cara, o pessoal reagiu bem…. Fiquei feliz e satisfeito com a recepção do vídeo. Fiz algo intencionalmente provocativo, o beijo, que só é provocativo porque ainda incomoda. Assim como, lá atrás no começo do Vidalocagi, nós incomodamos com o jeito “zuado”, mas que hoje é completamente aceitável. Esperamos que essa provocação também deixe de incomodar, deixe de ser provocativa em si, obtendo mais espaço nas mídias.

Alexandro Araujo (Xamb)

Eu nem esperava aparecer no vídeo. Eu nem consegui tempo pra gravar por conta do trabalho e nem tava aparecendo no rolé por estar sempre cansado por conta do trabalho. Fiquei de cara quando apareci dançando no vídeo com meus amigos, eu não esperava aparecer. Dompar era a única forma de ver meus amigos.

Arthur Guedes

VOU COMEÇAR EMOTIVO, VIDALOCAGI É MUITA COISA PRA MIM! Desde que eu levei o cuecão de iniciação sabia que muito ainda estava por vir… Na época gravando pro “F.O.N.”, geral tava focado, querendo fazer uma parte foda, ninguém conhecia o submundo da dompa ainda (ou não tão intimamente). Acho que a ideia do Guerreiros surgiu entre os 2 vídeos, “F.O.N.” e “Ainda Bebel”, e assim como estes outros, surgiu só como uma “marola” entre a gente e acabou que dava um puta nome bom. O lançamento do “Ainda Bebel” no MIMPI Film Festival marcou essa transição. Todo mundo com a sensação de dever cumprido, acho que ninguém ainda estava tão focado em fazer outro vídeo do VIDALOCAGI. Geral queria muito mais sair, ir pro Desvio beber Dreher e fumar beréu. Até então achei que o conceito do “Guerreiros” tinha ficado como uma piada interna ali e ia ficar por isso mesmo. Em algum momento a ideia do Guerreiros do Asfalto foi voltando a tona, mas de forma mais controversa, junto com a ideia de “-skate +dompa”, já que era o que estávamos vivendo e tinha mais take sequelado de celular do que realmente manobras filmadas de câmera. Quando eu vi que a ideia tava pra acontecer mesmo, corri atrás do prejuízo e mandei uma porrada de imagem pendente minha e dos moleques da B$B que tínhamos filmado pra outro projeto além de algumas outras realmente antigas. Acabou que o Ace juntou tudo numa parte só, fechamos o vídeo, e ele ainda encaixou uma espécie de “My War” no ender.

Bruno Madeira

Cara, é até difícil dizer o como foi – não só pra mim – mas pra todos nós do BSB essa participação no “Guerreiros do Asfalto”. Muitos de nós (eu mesmo) nem sabíamos que iríamos aparecer até a divulgação do vídeo. Eu diria que a partir da metade de 2018 começamos a se aproximar firme da galera do Vidalocagi. Foi instantânea a identificação e a amizade com eles, começamos a dar role praticamente toda semana e passamos a dompar todo pós role, hehehe. Acho que essas dompas são até um dos motivos pra não conseguir dizer direito o quão foda foi estar incluso nessa vivência, já que a memória até foge. No fundo, creio que para todos os participantes e agregados do vídeo, existe um mesmo sentimento envolvido: esses foram os anos de nossas vidas. Admito que nem lembro de ter gravado metade das manobras ali presentes. Nosso foco era claro “menos skate, mais dompa” e era isso, as tricks vinham espontaneamente, o importante era arrumar qualquer pretexto pra comemorar e ir curtir depois. Gastar a onda, dompar, se drogar, dar rolé; não tem como eu falar de como foi essa minha experiência pro vídeo, já que no fundo essa era a minha experiência de vida. Algumas coisas podem ser bad quando se tem isso como o foco vital, mas tenho certeza que tanto eu, quanto qualquer outro membro do BSB, nos é impossível dizer que esses não foram os melhores momentos a se viver num geral. Assistir o vídeo, principalmente em pandemia, é simplesmente reviver muito nostalgicamente tudo isso. Todo aquele frenesi e aquela histeria. Não posso dizer mais nada, pois o vídeo simplesmente já diz por si só. Foi muito foda!

Diego Charpenel

Acredito que o ”Guerreiros” tenha surgido logo que acabou o ”Ainda Bebel”, uma continuação. A brisa do vídeo e as loucuras vieram ao longo de 2019 , quando mais filmamos para o vídeo. Era final de 2018, início de 2019 quando tava conhecendo geral e lembro do primeiro dia que filmamos pro “Guerreiros”, uma sessão na XV nos obstáculos novos. Na época Lorran estava filmando uma parte dele só de VX, então nos dias que ele levava a câmera, nós filmávamos as nossas pro ”Guerreiros”, esquema clássico da tropa, kkkkkkkkk. Um belo dia a câmera veio parar nas minhas mãos, a imagem ficou boa e a partir daí comecei a filmar mais a galera e dessa forma me envolver mais com o vídeo, tipo GTA ganhando respeito nas missões, kkkkkkk. A princípio estavam pensando em fazer um vídeo todo de VX, coisas finas, ta ligado? kkkkkk. Só que com o tempo vimos que só filmávamos manobras com a câmera pra poupar fita. Já que não queríamos um vídeo só com manobras, a solução plausível foi usar takes dos celulares que filmávamos no dia a dia e principalmente nas ‘dompas’ que aconteciam. Com isso 2019 foi um ano que não só andamos de skate, mas também fizemos inúmeras amizades novas, que no final das contas, fizeram parte também do vídeo. Acredito que a brisa e a loucura tenham se estabelecido nesse momento. O vídeo relata essa relação sincera entre nossos amigos, foge dos padrões, dos critérios, das regras, traz alegria e ao mesmo tempo incomoda quem está de fora e não compreende que skate não são apenas manobras. ”Como foi participar?” A pergunta certa seria, ”como é participar? Por que pra mim, as paradas verdadeiras surgem naturalmente e dificilmente se acabam tão rápido. Contrato é vitalício, Vidalocagi eu vou levar para além da vida!

Jonathan Novais (Roso)

Pra mim foi “a mais” sair nesse vídeo, o primeiro que participei de verdade  apesar de pertencer desde o início ao grupo. Maior honra pra mim sair logo nesse vídeo que é muito mais que um vídeo de skate, e sim, um filme das nossas vivências e loucuras. E nesse nós soltamos a voz de verdade, sem filtro, sem rótulos… Guerreiros do asfalto, revolução na cena e na vida.

João Novello (Juicy)

Sem que seja dito, você consegue compreender o que lhe falta. Nós somos ótimos sabotadores de nós mesmos. A manifestação genuína de jovens que buscam sua evolução por meio do contato com o skate objeto, alcançando desta forma estados mais elevados de consciência. As manobras se tornam um detalhe em um momento sensível que é perceber o que cerca este universo. Estar se torna mais agradável do que ser, portanto é possível se deleitar um tanto mais, ao passo que não nos levamos por caminhos conclusivos, e sim especulativos.

Lorran Freitas

Participar gravando as partes do vídeo e as dompas foi a melhor coisa. Pois era uma época que eu estava muito pra baixo e me deu um levante! No final, assistir tudo pronto foi uma mistura de felicidade com nostalgia dos dias de zoeira, diversão e muito funk. A mensagem que ficou para mim foi: “O Skate como deve ser, além de manobras.”

Raphael Guga

Então, a ideia era simples: andar de skate, render com os amigos e celebrar depois. O Ace tinha uma ideia para o vídeo, então tudo que tínhamos que fazer era render o conteúdo do vídeo. E tudo fluiu muito de boa e despretensiosamente, ao longo do tempo já era de costume saímos à tarde para filmar e a noite pegarmos alguma festa, e assim foi sendo moldada a identidade do vídeo, o clima descontraído, os takes de balada, vivência entre os amigos, e o contato direto com a rua ao longo de todos os dias e das noites, que sintetiza a ideia dos “Guerreiros do Asfalto”. Era em 2019 antes da pandemia, e nessa época nosso bonde estava no ápice das festividades. Com o início da pandemia em 2020 foi o que fechou esse ciclo. Com certeza essa época ficou marcada na vida de cada um dos envolvidos.

Thiago Coimbra

Pra mim foi muito gratificante poder fazer parte e viver tudo isso, cada dia, cada risada, embaixo de sol ou correndo da chuva, kkkk. Momentos não faltam na memória. Poder olhar lá atrás e ver que meus irmãos são os mesmos de quando eu era uma criança e perceber o quanto além do skate isso vai. Uma família junto a um propósito, se divertir. Acho que nunca perdemos esse foco, por isso flui tão singular a parada. Meus irmão são meus ídolos. VIDALOCAGI PRA VIDA.

Luca Narracci (Jaquinha)

Eu fico emocionado de fazer esse depoimento porque fazer parte disso é aquele tipo de coisa que a gente sonha despretensiosamente quando é moleque e quando acontece a gente quase não acredita. Eu conheci a Vidalocagi lá em 2016, quando saiu o “Fondase o Nível”, por meio da própria Vista. Lembro de que quando vi o vídeo, não acreditava, eu simplesmente sentia que eu fazia parte daquilo mesmo sem nem conhecer ninguém da galera. O vídeo traduzia muitas das minhas vontades e sentimentos e identidades…Eu me via nos moleques e me dava um frio na barriga ao ver a energia da parada. Ficou na minha mente desde então. Achei o Instagram do Ace e o perfil do Vidalocagi e segui acompanhando eles pela rede. Na época eu morava em Sorocaba, interior de SP, e nem sonhava em conhecer a galera. Mas quem sabe um dia né… Acabou que fui fazer faculdade no Rio, e logo comecei a trombar essa galera e me aproximar do Pedro, de forma natural, por amizades, roles de skate, trampos e dompa. Tipo magnetismo mesmo. Quando ele me falou da ideia do “Guerreiros do Asfalto”, arrepiei, eu queria fazer parte de alguma forma. Ventura não hesitou em me convocar pra cena do beijo e veja lá, filmei umas trick pro vídeo e ainda beijei meu dreamboy. Por menos covid e mais skate+dompa. Obrigado universo, obrigado Ace, saudades… bjo, rs.

Matheus Marioneze (Maionese)

A participação de um vídeo muitas vezes nem é feita de manobras. Essa família que me acolheu me deu essa visão de que, se você está  com os amigos produzindo, seja comemorando junto um acerto ou até manobrando, ou dompando que seja, isso também é estar presente na cena. Sei que posso fazer melhor sempre, mas a melhor sensação de estar com eles, já me faz um skatista realizado.

Imagem capa: Montagem por Pedro Ventura