TEXTO: PIRIKITO SEM ASA
COLABORAÇÃO: Kaio “Kokoroty” Porto e ILOVEXV
FOTOS: Renê Jr
Achas que irão te deixar entrar nos Estados Unidos?
Me deixar entrar é tranquilo, difícil é o pessoal me deixar voltar!(risadas).
Quando você ganhou aquela moto (no campeonato da Qix em Teresópolis/RJ) logo pensou em vender/dar para o seu pai ou passou em sua mente colocar alguém para trabalhar de moto-táxi e fazer um ganho extra?
(risadas) Moto-táxi?! Podes crer, os caras aqui fazem muito isso. Só que nem pensei duas vezes quando a ganhei. Já quis logo presentear meus pais, pois sou muito grato e reconheço o esforço que eles fazem para me ajudar!
Fora capa de revista e andar de skate com seus ídolos, quais outras coisas você já conquistou no meio do skate que te deixam feliz?
Reconhecimento, os lugares que conheci e o mais importante, as verdadeiras amizades que conquistei!
Até quando você vai ficar mandando Fs Flip e Hardflip de “prima” em tudo quanto é canto? Por que não voltou ainda um lá no Cristo Redentor?
Há muito tempo fui lá tentar um Fs Flip mas não deu certo, os seguranças não deixaram. Até tentei uma vez, mas não acertei.
Dá para passar para PRO e continuar morando no Rio ou terias que fazer igual ao Emanoel “Enxaqueca”?
Sim! Temos picos, skatistas, fotógrafos e videomakers de qualidade. As marcas estão começando a investir em skatistas e projetos. Com novos projetos de skateplaza, nós não precisaremos viajar a outros estados para poder andar. As coisas vão ficar mais profissionais por aqui!
Você gosta de morar no (morro) Santo Amaro ou ainda moras lá por falta de oportunidade?
Gosto porque aqui é onde está toda minha história, minha família e amigos. Assim que pintar uma oportunidade de descer para o “asfalto”, eu saio. Meus pais estão envelhecendo, não vai ser fácil subir e descer essa escadaria. Não é mole não, tem que ter o dom! (risadas).
E aonde seria comprada essa tal casa para a sua mãe que você já comentou que gostaria de comprar com o dinheiro do skate? Pois tá ligado que a tal da especulação imobiliária está sinistra pela cidade…
É! tá tudo mais caro mesmo. Os investimentos tem que começar logo, senão vai babar do pai continuar morando ao lado da praia, da (praça) XV e da Lapa! Seria perfeito se eu conseguisse algum pico aqui no melhor bairro do Rio, o Catete! (risadas).
O que seria viver do skate para você?
A realização de um sonho! Não faltar material, poder viajar, pagar as contas e isto tudo fazendo o que mais amo!
Seus sobrinhos foram obrigados a andarem de skate ou começaram por que viram o tio?
Miguel e Bila me disseram bem isso mesmo (que começaram por causa dele)! Desde sempre eles moram comigo, ai montei um carrinho para cada um quando eles ainda eram bem novos. Os meninos gostaram e estão até hoje nas sessões comigo.
O Bila já te passou na altura há tempos e no skate também. Que futuro vês ou desejas para ele? Você cobra que o moço estude ou se torne um homem de caráter? Por que as vezes me parece que você é um pai para a o Gabriel.
Cara, o Bila é um ET, pela altura e pelo rolé! O menino tá brabo mesmo! (risadas) Pela velocidade que ele evolui e pelo amor que tem no skate, eu não vejo muitas dificuldades dele daqui há uns anos em ser um dos top aqui do Brasil. Eu sei que ele ama andar de skate, por isso tento ao máximo não deixar que nada falte para o role dele. Eu o incentivo a correr atrás para conquistar as coisas, porque isso não vai se aplicar só no skate. mas em toda a sua vida. Tento passar tudo que aprendi, até situações que presenciei. Tento poupá-lo ao máximo e deixá-lo preparado para as coisas ruins que estão nas ruas e acabam atravessando nosso caminho! Tenho certeza que o skate fará dele uma ótima pessoa.
Você não usa drogas, só que no Catete teve uma galera do skate que se envolveu com várias paradas pesadas (furto, assassinato, tráfico dentre outras coisas). Por que você não? Já que a maioria eram seus “amigos“.
Meus pais eram muito preocupados com isso, pois eu era muito novo e sempre estava na rua. Eles sempre me alertaram, conversaram e me ajudaram a continuar focado nos meus objetivos. Além do mais onde eu nasci tinha tudo isso acontecendo o tempo todo, essas coisas não eram mais novidades, não tive curiosidade!
Rodrigo “Picolé” faz falta? Para quem e por que?
Pra quem não conhece, o Picolé, é um grade amigo que morava em Niterói (A CAPITAL DO MUNDO, nota da edição). Desde menor (sic) andávamos juntos, ele sempre se destacou por seu estilo e carisma! Era adorado por todos nas sessões. Infelizmente se envolveu com drogas e hoje está internado numa clínica em São Paulo. Todos nós sofremos muito com isso e estamos torcendo para que ele vença esta luta!
Quando você cansa de ouvir Funk proibido (coisa que eu acho difícil!), ouves outra coisa? Você já leu um livro?
Cresci escutando Funk, é da minha cultura. Costumo escutar em casa os funks antigos, da época dos passinhos, Miami Bass, rasteiros e Funk Melody. Gosto mesmo por causa das batidas. A verdade é que “É som de preto, de favelado mas quando toca ninguém fica parado!” (Ademar ri ao citar trecho da música “Som de Preto” da dupla Amilcka e Chocolate). Eu nunca li um livro por inteiro. Na real estou esperando o Humberto “Zero” trazer o livro que ele foi capa e me prometeu!

A entrevista você está fazendo, mas e a parte para o lerdo do Prisma? Está pronta ou ainda tem alguma coisa sinistra que estejas tentando para fechar bonito a sua parte?
É cara, atrasou um pouquinho!(risadas) Mas já esta no formo, o Jesus e o Arteiro (vídeomakers) estão dedicados lá na edição. Prisma em breve!
Por que ainda não saiu o vídeo?
Perdemos muito tempo no desencontro dos skatistas com os vídeomakers. Eu torci o joelho e todos tinham alguma outra função além do vídeo. Por isso atrasou muito!
E o joelho está perfeito ou dá uns estalos de vez em quando?
As vezes dói um pouco. Por outro lado venho fazendo fortalecimento e está cada vez melhor!
O quanto o Duca ajudou a você chegar aonde estas? Fora ele quem mais te deu uma mão na sua carreira?
Com certeza ele foi fundamental! Sou eternamente grato a ajuda e o carinho que ele e sua família sempre me deram. Fora eles é imensurável a força que meus pais me deram e me dão até hoje! Agradeço também meus amigos Dhani Borges, Alessandro Ramos, Edu Lopes, René Jr, Jesus e o Arteiro, que me ajudaram quando precisei, acreditaram em mim e me indicaram o caminho certo. Mil desculpas aos que esqueci de aqui citar! Obrigado Senhor por eu ser iluminado!
Por que você meio que parou de correr campeonatos? Já está sem achando mais que os demais ou não tem evento para o seu nível?
Eu me achando? Jamais! Nos últimos anos tenho andando só na rua, perdi o costume e a vontade de andar nas pistas. Também não tinha como ser diferente já que aqui não tem uma pista de skate decente e as que existem ou são muito longe ou estão abandonas. Os últimos eventos aqui na cidade não pude comparecer porque tinha sempre algo marcado nas mesmas datas.
Não teve uma época que você só andava de peça gringa e vagabundo dizia que tinhas entrado numa agência de talentos? O que houve e como foi isso?
Podes crê, estava “arregado” mesmo. Foi isso mesmo, fiquei 5 meses, mas não funcionou.
Essa parada de combinar as suas peças das roupas com as pecas do skate ou até com os adesivos no shape, é espontâneo ou perdes tempo fazendo isso, escolhendo as roupas para dar um role?
Com adesivos e peças não! As vez com o tênis eu até dou uma apelada no estilo (risadas) mas não tem erro, para dá rolé o que basta é estar confortável, com tênis e skate bom!
Você é o metrossexual do skate carioca, já que as suas sobrancelhas estão sempre feitas?
Iiii, qual é? Tá moluscoló? Nem trem, nem ônibus muito menos “metrô”! (risadas homéricas) No máximo um corte de cabelo, um banho e estou novo!
O quanto foi importante filmar para vídeos como Avuatauba e Correndo Atrás na sua formação e evolução?
Foi bem na época das “vacas magras”. Eu tinha que divulgar meu skate para arrumar um apoio ou patrocínio de alguma forma. Foi quando comecei as fazer fotos e filmar para esses vídeos.
Hoje você literalmente vai para a pista do Aterro do Flamengo para fazer um solo ou andar no curb. Mas quando a mesma foi inaugurada era como se fosse a sua segunda casa. Chegou a dormir nela? Já que até aniversario você comemorou por lá.
Já comemorei aniversario sim, mas dormir nela, nunca! A pista tá toda quebrada, tem mais de 10 anos e nunca teve uma reforma. Fizemos um curb que está salvando a sessão. Fora isto a pista se encontra completamente abandonada!
Alguma história do Angolano (uma personalidade e vendedor ambulante da pista) do Aterro? Você sabe o nome verdadeiro dele?
(risadas) Esqueci, aquele ali é a maior figura mesmo!
Defina igualdade social:
Respeitar a todos sem descriminação, do morador de rua ao seu patrão.
Você sabe falar de trás para frente como o pessoal do TTK (Dialeto)?
Rocla, doquan ssarpa mau nami taga ue lofa na gualin do ttk pra ona naexpla! “Lia néma do teu dola, satosgo!” (risadas)
Como você sabe que Deus existe?
No meio de tanta maldade e destruição, o bem e as pessoas puras de coração sempre prevalecem!
Defina a importância da Praça XV para você:
Me ajuda a evoluir, mantendo a essência do skate para mim, que é a diversão e a confraternização! “Skate não é profissão, nem destino, skate é amor e amor exige amor! XV or DIE!, VIVA O SKATE ARTE” (Cita palavras de ordem e amor do Grão Mestre Varonil Alexandre “Palito”).
Após sua ida para a Alemanha, o que mudou em você? A forma de ver o mundo?
É tudo muito diferente! De primeira você já percebe que as coisas realmente funcionam e a diferença que faz uma boa educação na sociedade. Pessoas se respeitando e cumprindo regras, coisas que aqui não são comuns de se ver!
O que você foi fazer lá? Como conseguiu entrar?
Ganhei uma passagem de aniversário do meu amigo Joackin e fui visitá-lo. Não tive dificuldades para entrar, só que no desembarque de todos os passageiros de um avião lotado eu fui o único a ter que abrir todas as malas! Fazer o que né?
O que você aprendeu por lá?
Aprendi muita coisa sobre a história do país e da capital, Berlim. Visitei vários museus e pontos turísticos. A língua eu nem perdi tempo tentando aprender; É quase impossível!
DC, como você entrou e como as coisas estão? Achas que rola de passar para PRO pela marca ou ainda nem pensas nisso?
Comecei a receber uns materiais como Flow logo depois do King of São Paulo/2009. Participei de 3 Tours, em uma delas machucado. Aproveitei essa oportunidade e tentei produzir o máximo possível. Depois de um ano, fui efetivado na equipe. Graças a Deus está tudo andando bem. Esse ano fiz minha primeira tour como membro oficial da equipe e deu tudo certo. Não penso em passar para PRO ainda, tenho bastante coisa para produzir como Amador.
Tens fãs? Você já deu autógrafo? Gostas deste tipo de coisa, como assédio?
Alguns fãs e autógrafos nas tours. Gosto de assédio, mas só o feminino! (risadas)
O Danilo “Dandi” deu um gás no rolé quando esteve morando por aqui?
Lógico, é meu vizinho! Ele me ligava quase todos os dias para andar e filmar. Esse sim é correria e sangue bom máximo!
Por que essa bajulação toda com a sua avó, ela vai te deixar alguma herança ou é por que você realmente a ama?
Não, que mané herança. Ela é meu tesouro! Minha avó veio morar comigo há alguns anos, ela é velhinha. Precisa de cuidados e como sou eu que tem mais tempo livre, cuido dela! Quem conhece sabe que a peça é rara!
Quem são os seus ídolos no skate carioca e por que?
Come Rato, Marcello Gouvêa, Emanoel “Enxaqueca”, Ionir “Mera”, Rafael “Somália”, Humberto “Zero”, Douglas Ugry, Raphael “Índio”, Léo Caldas, Wallace “Belo”, Leo “Careca”, Alessandro Ramos, Marbal, Jorge “Zunga”, Júlio Feio, Adalberto, Futun e Jorge “Cupim”… (Que me desculpem os que esqueci). Fizeram e fazem parte da história do skate Carioca.
[...] poucos estamos lançando alguns extras das matérias dessa edição, como a do Ademar Lucas. Ah, e se você vacilão ainda não viu a Vista 039, corre aqui do [...]