Agora, com vocês, um extra do ambidestro que está nas páginas da Vista 39,
TEXTO: PIRIKITO SEM ASA
COLABORAÇÃO: Bruno Pires, Alessandro Ramos e Allan Mesquita
FOTOS: Renê Jr
(Risadas) Eu falei essa frase para o meu amigo Bruno Pires mais conhecido como “Pirex”, que na época nem era tão meu amigo assim. Depois de dois anos sem andar de skate eu apareci lá na “Praça do O” e o Bruno estava lá, me disse que iria para o campeonato da Drop Dead. Eu na mesma hora falei para ele “vou fazer…”. Ai nós fomos para a Drop e o campeonato foi irado! Naquele tempo eu não estava andando nada, prego total! Mas fiz umas nights iradas e uma amizade com ele que dura até hoje! É nós Pirex!
Eu fiquei dois anos sem andar porque na época eu tinha quinze anos e tinha patrocínio da OI (Companhia de telefonia móvel) e eles me davam tudo que eu precisava, inclusive salário! Porém o contrato que o meu pai tinha feito, tinha um acordo que se eu repetisse de ano iria perder o patrocínio e acabei repetindo. Perdi os meus patrocínios e na época não soube lidar com isso pois tinha tudo que eu precisava e da noite para o dia meu pai parou de me apoiar e eu não tinha mais patrocínio, então essa dificuldade foi me desanimando. Eu sempre surfei, então depois de dois anos quando eu resolvi voltar, ainda tinha uma base.
Eu não me considero, porque acho que esse rótulo é para os fanfarrões que vivem a vida fazendo só o que querem e tem tudo fácil. Eu comecei a trabalhar com 16 anos e a minha família sempre teve a preocupação de me mostrar o quanto custa ter as coisas. Acho que posso ter passado por playboy algumas vezes por ter uma estrutura familiar melhor do que muitos que andam de skate no Rio, mas acho que hoje em dia, já não rola mais esse preconceito. Acredito que eu consegui o meu espaço no skate mostrando que ando de verdade, independente de qualquer coisa.
Quando comecei a andar de skate eu era goofy e andava só na mini ramp da Urquinha. Quando eu comecei a me interessar pelo street eu tentava mandar ollie e flip com o pé direito na frente e não conseguia. Ai comecei a tentar com o esquerdo na frente e senti mais facilidade. Daí que surgiu. Desenvolvi as duas bases de maneira independente, o que é muito louco para as outras pessoas, mas pra mim eu ando em transição como goofy e no street sou regular. E tenho dificuldade quando tento que andar de regular em transição, como todo mundo que tenta andar de switch.
Não acho que tenha ninguém com o mesmo estilo que o meu na minha geração até porque eu acredito que cada um tem o seu. No Rio, eu sou um dos poucos que estou levando a serio esse lance de andar em Bowl mas ao mesmo tempo admiro nomes como Emanoel “Enxaqueca” e o Ademar “Luquinhas” que fazem parte da mesma geração que a minha e estão sempre fazendo o corre para se manterem em voga.
Skatista é skatista, acho. Não conseguiria andar sempre no mesmo tipo de terreno e dedicado ao Bowl como estou, volta e meia me dá vontade de fazer um street.
O QUE TE FAZ ANDAR MAIS DE SKATE, ANDAR COM OS AMIGOS OU COM OS SEUS ÍDOLOS?
Com certeza com os amigos. Até porque meus amigos são os meus ídolos.
Acho que aprendo muito andando com caras como o Luiz “Come-Rato” e o Tibau lá no Rio Sul. A linha dos caras, o jeito de mandarem as manobras é muito diferente da galera moderna e isso é muito legal. Tento agregar esse estilo e essas manobras ao meu rolé.
Minha mãe botou meu nome de Nilo por causa do meu pai. O sobrenome da família do meu pai é Peçanha e um parente nosso era politico e chegou a ser presidente do Brasil, o nome dele era igual ao meu. Por isso muitos se assustam quando eu falo que meu nome é Nilo Peçanha.
Na Europa eu não corri atrás de nada eu só fui lá para competir e amarrar melhor a minha parceria com a JART. Comecei a andar para marca quando morava na Austrália, através do distribuidor local e quando surgiu a ideia de começar a empresa com o meu pai por aqui, entrei em contato com a sede deles na Espanha e eles acharam interessante a ideia de começar a vender no Brasil. Então a minha viagem foi muito produtiva no Velho Mundo este ano. Competi em vários campeonatos irados e ainda fechei a parceria de ser o distribuidor da JART aqui.
LEMBRO DE UM EVENTO QUE EU FIZ QUE VOCÊ FICOU EM TERCEIRO LUGAR E ESTAVAS AMARRADÃO COM A PREMIAÇÃO E SUA COLOCAÇÃO, PODE SE DIZER QUE NÃO ERAS UM CARA TÃO COMPETITIVO ASSIM?
Acho que sou um pouco competitivo mas o que mais acho legal dos campeonatos, é poder reunir os amigos para andar. Vejo campeonato como uma forma de justificar a ajuda dos meus patrocinadores e dar um retorno bom nas mídias. Tenho vontade de algum dia viver só filmando e fazendo foto sem precisar competir.
Para mim foi legal. Eu fiquei feliz de ter recebido o premio porque o André ex-presidente da FASERJ me ajudou a fazer varias viagens em uma época que eu não tinha o apoio de nenhuma marca e não me meto muito nessas brigas que rolam no Rio, prefiro andar de skate e ser amigo de todos.
Acho que dois caras que marcaram o meu inicio no skate foram Bruno Passos e Allan Mesquita. Lembro que eles pararam de andar um tempo por algum motivo e quando eu comecei a andar, acompanhei a volta dos dois e isso serviu de exemplo para eu fazer o mesmo depois de dois anos parado. Não posso esquecer de citar nomes como Luiz “Come-Rato”, Emanoel “Enxaqueca”, Ademar “Luquinhas”, Marcello Gouvêa, Tibau e o “Pirex”.
Acho que a galera que anda de skate de verdade é igual aqui ou na China, só pensamos em andar de skate e falamos sobre isso(Risadas). Acho que o que muda é o mercado que em países de primeiro mundo é muito maior devido a economia e o poder aquisitivo da população, o Brasil está passando por um momento bom e vejo que estamos com várias oportunidades por aqui.
Não tenho nenhum patrocínio que me pague um salário para eu poder só andar de skate. Hoje eu vivo do skate porque eu comecei esse novo negocio de distribuir marcas, dele que sai o dinheiro que paga as minhas contas. A Globe vem me apoiando a bastante tempo, agora a Embassy está me ajudando e estou também com a Devotion que é a marca do Allan Mesquita.
Tenho vontade de conhecer todos países que ainda não conheço. Acho que a América do Sul tem muito lugar legal e nunca fui para nenhum ainda.
Quando viajo sem sempre me comunico em inglês porque é a única língua que eu falo tirando o português. Acho que viajar faz você abrir a sua mente e aceitar as diferenças.
Nunca senti choque de cultura porque minhas viagens foram sempre voltadas para o skate e como eu já disse skatista é skatista em qualquer lugar do mundo, então sempre que eu chego em um pais diferente eu procuro algum pico para andar e lá sempre conheço a galera local e já era! Acho que alguns países estranhei a comida, como na República Tcheca.
Quando fui morar na Austrália tranquei minha faculdade mas pretendo voltar a estudar ano que vem. Ainda não sei se vou continuar fazendo Educação Física ou vou para outro curso.
Lá fui entregador de pizza, pintor e trabalhei em um Skatepark.
Nunca perdi a paciência com a molecada, tenho um irmão de 10 anos, o qual levo para andar de skate comigo as vezes, gosto muito de criança. Eu não me lembro de nenhuma mãe me dando mole (Risadas).
Fui estudar Inglês.
Acho que falta muita coisa. Primeiro eu acho que estamos carentes de pistas boas mas o principal motivo da galera ir muito para São Paulo, é porque lá tem mais gente vivendo do skate, filmando e tirando fotos. Para você ficar aparecendo nas mídias especializadas, tens que ir a São Paulo. Não é necessário morar lá mas é bom está sempre indo.
PORQUE O SEU APELIDO ERA “BUNDINHA DE NENÉM” ANTIGAMENTE E QUEM TE DEU O MESMO?
(Risadas) Não sei porque surgiu esse apelido, o inventor dele foi o Rafael “Somália” da Rocinha, o moleque é sangue do mais nobre.
Não tenho orgulho mas também não tenho vergonha. Foi meu primeiro patrocínio.
A galera que andava comigo nas antigas sempre foram os caras mais velhos que andavam no Rio Sul ou meus amigos que pararam de andar. Mantenho contato com alguns mas como tenho viajado muito fica meio difícil.
A SK8 sports é a empresa que eu abri com o meu pai para importar materiais de skate. Sou sócio da empresa.
*Quando está escrito FASERJ leia-se Federação de Skateboard do Estado do Rio de Janeiro!