Mayla Goerisch

Mayla Goerisch vive e trabalha em São Paulo desde fim de 2019.

 

Natural de Curitiba, é formada em História e desde 2007 trabalha com artes plásticas. Participou de algumas exposições coletivas no Rio e São Paulo e fez residência artística em 2018, no Centro de Artes Visuais de Coimbra, onde foi também assistente de Albano Silva, diretor do CAV. Sobre a rotina durante a pandemia, “ Faz pouco tempo que estou em São Paulo e desde então, trabalhar tem sido basicamente viver a pandemia. Quase quatro meses dentro de casa, o que faço, apesar de tudo, continua sendo absorver a confusão (?), catástrofe e beleza do exterior e sentir o que provoca dentro. Em outras palavras, o trabalho e sua rotina funcionam como um diário- um desabafo pela dor e alegria das coisas que posso experimentar. Considero minhas obras bastante narrativas e quase sempre figurativas. Desde 2015 tenho pintado estes personagens que usam “máscaras/panos brancos sorrindo”, você nunca sabe qual é a verdadeira cara deles, a não ser pelo que conclui da própria cena. Também gosto de visitar nas pinturas, lugares que chamo “idílicos”, como paisagens campestres, casinhas, lembranças de sonhos, flores, animais…esse tipo de coisa.” M.G

 

Farewell, 2016 | Eles não esperavam se encontrar na piscina, 2016

Sobre sua produção, a curadora e idealizadora do The Bridge Project , Julie Dumont escreveu: “A obra de Mayla Goerisch vai se desdobrando- em alguns momentos parece estar num mundo melancólico, ao retratar figuras humanas em ambientes sombrios, usando máscaras que escondem seu verdadeiro rosto. Em outros, passeia por um ambiente onírico com flores flutuando sobre o vazio. Suas cenas nos remetem a sentimentos comuns, que muitas vezes não podemos ou não somos permitidos expressar. Eles entram na obra em forma de uma estória de maneira quase bruta, as obras expressam sensações universais de alegria e medo, tensão e maravilhamento frente às coisas. Nas pinturas de “paisagens idílicas”, onde superfícies de tinta branca são arranhadas para revelar elementos familiares, casas, caminhos e rios, são compostos como um desenho infantil, embora elementos mais profundos apareçam lembrando sutilmente, a impossibilidade deste paraíso.”

 

Cena de Primavera, 2017 | Land, 2017

Sobre a multiplicidade dos meios e o trabalho atual, “Já faz um tempo, os elementos narrativos extrapolaram os quadros e viraram objetos, bonecos, instrumentos, etc. As peças que faço giram em torno de símbolos, na maioria das vezes bastante claros.Me atrai muito a ideia da “função” de objetos de arte como mágicos e rituais. É nisso que venho trabalhando agora, através de peças como armaduras, flechas, bandeiras, cobertas e panos para diversos usos.” M.G

 

ALMA, 2017 | Meeting Points, 2017

ALMA, 2017

Colete para proteção de órgãos internos, 2020 | Bandeira para embrulhar pedras, 2020

Além das artes plásticas, Mayla tem feito peças gráficas, como a capa do último disco do IRA!, parceria com Guilherme Pacola, a convite do Edgard Scandurra. “Este trampo foi extremamente importante pra mim, tenho muita admiração pelo trabalho do IRA!, e a chance de participar de um disco tão bonito, foi emocionante”.

Capa do disco IRA, da banda IRA!, lançado em 2020

A música também tem lugar na sua produção, compondo e tocando de maneira experimental, participa no trio PINA e no duo BUMBOmudo.  “Nos últimos meses tive a sorte de encontrar gente com a qual me identifico bastante e tem sido uma experiência prolífera compor e tocar. Faço isso com meus melhores amigos e é muito bom. Eu e o Pacola, parceiro no BUMBOmudo, temos abordado nossas músicas com gráficos, capas, vídeos…no fim acabamos por criar uma obra que não é só musical. Me interesso por diferentes coisas do fazer criativo e é difícil enquadrar meu trabalho em um lugar específico. Tem um lado confuso nisso, pois as vezes você acaba perdido sem saber para onde ir. E também na área profissional a característica do “não se enquadrar” é pouco aproveitada ou mal vista. De qualquer forma, tudo é muito dinâmico, nada fica no mesmo lugar. E o espaço criativo SEMPRE precisa ser construído. É neste espaço que procuro me colocar.” M.G.

 

site: www.maylagoerisch.com
insta: @maylagoerisch

 

indicação para a próxima artista I Juliana Bernardino @jnbernardino