MIMPI 2016 – Benjamin Deberdt

MIMPI 2016 – BENJAMIN DEBERDT

Clark Hassler, fakie nosegrind, NYC, 2010
Clark Hassler, fakie nosegrind, NYC, 2010

Em sua quinta edição, o Mimpi traz na expansão do olhar sobre os processos uma ode aos filmes e as demais manifestações artísticas e criativas que envolvem o surfe e o skate.

Esse ano, o festival acontecerá durante quatro dias no Rio de Janeiro. Diretores de filmes, surfistas, skatistas, artistas, fotógrafos, músicos, profissionais do mercado e entusiastas. Uma reunião de inúmeras pessoas que representam, formam e transbordam o atual cenário do surfe e do skate. Para conhecer e atingir mais ideias, eventos paralelos se espalharão pela cidade nas semanas que antecedem e sucedem o festival.

E a gente já tinha batido um papo com o Cotinz, que este ano é o presidente do júri de skate, mas graças ao empenho do Kiko Hein e do Rob Abreu temos também esse papo abaixo com Benjamin Deberdt, editor chefe do liveskateboardmedia.com.

Mark Gonzales, NYC, 2010
Mark Gonzales, NYC, 2010

Você é um fotógrafo de skate. Como começou a relação com a fotografia? O que veio primeiro: skate ou foto?

Benjamin: Com toda honestidade, pra mim tudo se conecta de diversas formas – desde o início. Gostava de mexer na câmera da família e meu pai me ensinou o básico… mas era isso. Até que vieram minhas primeiras revistas de skate (TWS, especialmente) e fiquei obcecado pela forma como o skate era retratado nelas. Parecia tão legal, podia olhar pra mesma foto por horas. Então, comecei a pegar emprestada a câmera do meu pai pra fotografar meus amigos andando de skate, tentando imitar o que estava nas revistas. Claro que falhei!

Você postou no seu Instagram alguns filmes e fotos que vai mostrar no Mimpi. O que você está trazendo pra essa exibição?

Benjamin: Hahah, só posso dizer: é segredo! Estou trazendo apenas impressões analógicas e feitas manualmente num lugar muito especial de Paris, o Atelier Publimod. Pro MIMPI, pedi que eles fizessem novas impressões, algumas fotos dos anos 90 e outras bem recentes. Ah, e vou mostrar umas fotos nunca antes vistas do Mark Gonzales Circle Board. Estou animado pra dividir isso com vocês…

Kevin Rodrigues, Paris, 2013
Kevin Rodrigues, Paris, 2013

Vai ser sua primeira vez no Brasil?

Benjamin: Sim! E estou muito animado. Estava mesmo falando com meu amigo Samir Krim sobre o Rio, há uma hora. Ele esteve aí algumas vezes, e eu estava perguntando sobre as experiências dele. Estou muito agradecido por ter sido convidado pra descobrir um lugar novo, conhecer pessoas novas e experimentar uma outra cultura.

Você conhecer alguns fotógrafos brasileiros?

Benjamin: Não que eu consiga lembrar… Mas, pra ser sincero, só sei o nome de uns dez fotógrafos ao longo da história toda. Não sou um nerd da fotografia. Tenho até vergonha disso, mas sabe como é…

Quim Cardona, NYC, 1996
Quim Cardona, NYC, 1996

Qual é a sua relação com a fotografia analógica? Por que a preferência por ela?

Benjamin: Ah, cara… É a única relação que eu tenho com fotografia. Primeiro por uma questão geracional: era o que tinha quando eu comecei a fotografar. E quando surgiu o digital eu já estava muito acostumado pra mudar… e eu nem gosto de mudanças. Mas, sinceramente, não acho que uma seja melhor do que a outra, só são diferentes. Uma coisa que eu prefiro no formato analógico são os blurs e as áreas de foco. Ficam muito melhores, ao menos pra mim. Além disso, eu tenho essas câmeras maravilhosas, e não gostaria de colocá-las nas prateleira, comprar brinquedos novos. Mas olha, vamos pedir uma taça de vinho? Poderia falar disso a noite inteira!

Kenny Anderson, Berlon, 2010
Kenny Anderson, Berlon, 2010

Você já fotografou inúmeros skatistas ao longo da sua carreira. Tem algum que seja o mais emblemático?

Benjamin: Tive a sorte de conhecer e fotografar muitos skatistas talentosos no decorrer dos anos, de Tom Penny a Jason Lee. Mas diria que, desde o meu primeiro dia como fotógrafo, Mark Gonzales foi a minha maior influência – e os efeitos disso em mim seguem até hoje. Hoje, mais velho, tento dizer aos skatistas mais jovens que, com o tempo, o que ficam são as experiências, as amizades, e que isso é o que eles vão lembrar do skate – não as manobras. Mas tenho sorte de dizer que as poucas que tive com Mark me fizeram ver a vida do jeito eu eu vejo hoje.

E tem uma foto favorita?

Benjamin: Ah não… Como é pra todo mundo, as fotografias me trazem memórias de um determinado dia da minha vida, mesmo que a foto não seja tão boa. Então, se eu tivesse que escolher uma, mudaria de opinião todos os dias.

Joffrey Morel, ollie, Paris, 2015
Joffrey Morel, ollie, Paris, 2015

Conta como foi a experiência de criar e andar de skate com o Mark Gonzales.

Benjamin: Esperar o inesperado e tentar lidar com isso – estando com a câmera ou não. Isso e muitas risadas!

Quais fotógrafos são referência pra você?

Benjamin: Como eu disse, não sou uma enciclopédia de fotografia. Mas.. todo o trabalho do Ari Marcopoulos foi uma grande influência. Quando eu era mais novo, Tobin Yelland… Thomas Campbell me ensinou tudo que eu sei sobre segurar uma câmera, eu acho. Ah, pra quem não conhecer o trabalho do Dennis Hopper, fica essa dica. Amo o trabalho dele.

Alex Olson, Republique, Paris, 2015
Alex Olson, Republique, Paris, 2015

Mimpi é um festival de filmes. Você pode nos dizer quais os filmes de skate, novos ou velhos, que você assistiu e curtiu?

Benjamin: Enquanto eu crescia tudo girava em torno de “Video Days”, e depois do vídeo “Stereo Sounds”. Recentemente, pirei com o “Spirit Quest” e gostei muito da maneira como o “Polar Video” prestou homenagens aos vídeos dos anos 80 e 90, tentando compartilhar a cultura dessa época com a nova geração. E, no meio disso, teve muito documentário de skate, nos mais variados formatos.

Lucas Puig, Paris, 2014
Lucas Puig, Paris, 2014

Qual a sua expectativa em relação ao Mimpi?

Benjamin: Como um pai de família, vejo como um feriado sozinho, hahaha. Mas afora isso, não tenho muita certeza do que esperar, o que é bom. Sei que a cultura brasileira do skate tem sido forte por décadas – graças ao Lucas Ribeiro, que me mantém atualizado -, então poder experimentar isso em primeira mão vai ser especial. Definitivamente especial… Especialmente porque parece que o Brasil tem muito a oferecer ao skate agora.

O que você preparou pra sua exibição especial?

Benjamin: Na parte de vídeos, vou apresentar alguns projetos de skate ao vivo, incluindo Color Fools, que é um longa metragem de manobras apenas em spots com uma única cor, e também o remix Parisii, que até hoje só foi mostrado uma vez em Paris. Além de muitas outras coisas…

Leo Romero, fs nosegrind, Paris, 2013
Leo Romero, fs nosegrind, Paris, 2013

Exibição de filmes, arte, música, feira independente e oficinas. Um festival com projeções, som, lisergia, convivência, invenções e experimentações.

MIMPI TRANS/BORDA
12 a 15 de Novembro
Rio de Janeiro/RJ

Tom Knox, bs tailslide, Londres, 2014
Tom Knox, bs tailslide, Londres, 2014

Fotos: Benjamin Deberdt
Entrevista: Robinson Abreu
Tradução: Raquel Chamis

A Morte do Impresso

A morte é um período transitório. Não um ponto final. Precisamos aceitar as mudanças. Elas são boas. Significam novas possibilidades. E são estas partes que vão pavimentando o caminho da evolução. A Vista como você conhece, termina agora. Sem choro, nem vela. Mas tranquilo, nossa alma, segue viva e ativa. Você pode nos ver e reconhecer em tantos espaços que nem imagina. E seguiremos por esses caminhos da vida.

Dito isso, façamos como a sabedoria dos hermanos mexicanos nos ensinaram e vamos comemorar num dia onde tudo se encontra. A vida e a morte, o real e o mágico, o conteúdo e a produção. Uma revista, um evento. Você! Sim, a parte mais importante para que tudo faça sentido

Vamos ocupar a rua!
Vem pro VISS BLOCK PARTY
16.12 - 15h | Casa da Vista - SP