Mycrocosmos e o encontro de gerações no time

O skatista Gilbert Crockett já disse uma vez “skateboarding is about wearing pants” (skate é sobre usar calças) e essa frase diz muito. Ao longo dos anos e das gerações do skate, as variações de modelo, tamanho, cor e tecido das calças no skateboard, foram notáveis. Das calças big dos anos 90 aos modelos skinny que mostravam as meias, muitas marcas influenciaram esse game do vestuário inferior.

No Brasil atual uma marca se destaca entre as calças skatísticas: a Mycrocosmos Pants, que recentemente soltou duas novidades bem legais: a primeira, que começou a fazer jeans de formato big, como os jeans que skatistas usavam nos anos 90; a segunda foi a entrada de dois caras no time.

A gente falou com o Raf Silva, o cara por trás da Mycrocosmos junto da namorada Isabela, para saber mais sobre isso tudo, Se liga no papo:

Salve Raf! Tem coleção nova da Mycrocosmos Pants e o foco são as jeans. O que levou vocês a começar a fazer esse modelo?

A gente já queria muito fazer jeans, mesmo sabendo que é bem difícil fazer jeans com lavagem por aqui sendo uma marca pequena. A gente já estava vendo que na Europa tinha bastante skatista usando jeans baggy, mais larga, não tão reta.

No fim dos anos 90 a gente já usava essas calças e elas são muito style, né? Uma calça bem rua, bem urbana, pra ralar mesmo no skate. Então a gente desenvolveu a nossa e adoramos o resultado! Um caimento perfeito, do jeito que a gente gosta.

É uma mistura de saudosismo de querer usar de novo as calças antigas e também inspiração do que está rolando no mundo do skate. A nossa moda gira em ciclos, então a gente tem que seguir as tendências.

Mas deve ser tenso fazer calça hoje em dia, né? Como é fazer uma marca de calça em um Brasil pandêmico?

É muita treta. Antes da pandemia já era difícil, imagina agora. Fazer as coisas por aqui é muito complicado, a gente sofre muito com a falta de fornecedores, variações de preço… Sempre tem crise atrás de crise no Brasil, que afeta qualquer comércio.

A gente tem que fazer das tripas coração para fazer coisa de qualidade. Parece que as coisas tem aumentado o preço e caído a qualidade, né? A gente tem que ficar atento pra fazer coisas boas e produtos de qualidade.

Empreender no Brasil é complicado demais. Mas a gente tem muita garra, a gente não pára. Minha vida toda foi assim, sempre fui batalhador, com a Mycrocosmos, que é meu sonho junto da Isabela, não é diferente.

Ter a Bela por perto é muito importante. Quando um está pra baixo, o outro levanta, dá apoio. E assim a gente vai pra cima. É complicado fazer roupas pra skate, mas é o que a gente gosta, é onde a gente quer estar, se não for andando, que seja então fazendo algo pelo skate.

Quando a gente faz algo por amor, as coisas acontecem naturalmente. A gente luta muito e aos poucos os frutos estão vindo. A vida abençoa a gente e a marca vai fazer 6 anos com muita novidade, crescendo e evoluindo. Isso move a gente.

Falando em novidade, vocês apresentaram dois caras no time também com a nova coleção. Como vocês chegaram nos nomes do Gui Silva e do Gian Naccaratto?

O time é o que dá ainda mais identidade numa marca. Toda companhia já tem uma cara, se ainda tiver um time que consolida isso, valida sua marca.

O Gui sempre usou, desde o começo da nossa empresa. Ele comprava e depois a gente começou com uma parceria, eu dava umas para ele. E ele é fenomenal, né? Tem uma cabeça muito boa, mesmo sendo novo. Tem uma filosofia muito legal de skate, acho que por ter convivido com os caras mais velhos do skate, com os caras da Future. Ele teve uma bagagem desde cedo! Ele sempre adorou usar as calças, sempre dava feedbacks e isso foi muito importante pra mim.

O Gian entrou em contato comigo há uns anos e foi uma troca bem legal porque eu sempre curti o rolê dele, era uma referência. Eu o via nas revistas, nos vídeos, um streeteiro verdadeiro, daqueles caras que você se espelha no rolê.

Quando ele começou a usar as Mycrocosmos foi muito legal. Ele me deu uma baita força e até me ajudou nessa ideia de ter time. Eu estava receoso com isso, mas com a ajuda do Gian eu entendi que era o momento.

Tem nem o que falar, né? O Naccaratto é um monstro do skate. Um exemplo de profissional, evoluiu com a vida, aprendeu muita coisa e hoje passa tudo isso. Foi um cara fundamental para dar esse pontapé inicial.

É um time pequeno, mas com dois nomes gigantes de duas gerações diferentes. Isso foi uma preocupação mesmo, de pegar pessoas que representassem dois momentos do skate?

Esse time está muito pesado, né? Só os dois, mas são dois caras animais. O Gui já tem uma ética enorme, profissionalismo muito grande, sabe respeitar e ser respeitado, tem muito skate. Tem uma carreira brilhante pela frente. Ele é um ótimo profissional desde cedo.

O Gian é um monstro, referência pra mim e pra muita gente. Fez muita coisa boa no mundo inteiro e até hoje está se puxando, dando muita manobra pesada. Às vezes fico pensando nisso, de ser mais difícil andar de skate quando ficamos mais velho, e aí vejo o Naccaratto andando com a molecada mais nova, filmando, evoluindo… Isso inspira cada vez mais!

Fora a parte profissional, a ética que ele tem com os trampos. Isso é fundamental para Mycrocosmos, a gente procura sempre se relacionar com pessoas que têm filosofias parecidas e esses caras tem um senso de mercado muito legal, uma visão muito grande.

Ah, tem mais dois manos que eu já conversei que fecharam com a gente também. Em breve tem mais duas pessoas no time da Mycrocosmos!

Mas enquanto a gente não sabe quem são esses caras novos, assista ao comercial das baggy jeans da Mycrocosmos com o Gui Silva e Gian Naccaratto oficialmente no time:

Vídeo e edição de Clovis Henrique
Trilha de Bruno Dos Santos
Fotos de Diego Carvalho