PEDRA DURA

 

Na semana passada, Alexandre Veloso (Storyteller) lançou em seu canal do YouTube o vídeo Pedra Dura. Nós ficamos querendo saber mais sobre essa produção e tudo o que levou Alexandre a explorar esse cenário e essa história e fomos atrás de respostas, se liga na entrevista.

 

Vista: Queremos saber da onde veio a referência do vídeo? O que te levou a explorar o assunto da resistência indígena?
Storyteller: Eu fazia uns trampos para uma galeria de arte (Sé Galeria) e por lá conheci o artista que havia feito essa intervenção na cidade chamada “Cerco de Piratininga”. O nome dele é Daniel Kairoz “FAGUS”. Achei a historia muito interessante, até por que, havia até uma matéria no SPTV da Rede Globo em que os repórteres e cidadãos entrevistados estavam todos intrigados com as pedras que surgiram do nada no centro da cidade. O Daniel fez o corre de colocá-las de madrugada e do nada, pela manhã, lá estavam causando estranhamento de todos. Tinha tiozinho falando que era “aerolito”, umas tias achando um absurdo, falando que podiam tropeçar e cair, etc. Eu pesquisei o quê foi o tal “Cerco de Piratininga” e achei essa história toda, muito interessante por sinal e que pouca gente tem acesso. Como o mote do meu projeto é levar algum tipo de cultura para as pessoas tendo o skate como veículo e assim contar uma história, casou super bem.

 

Vista: Como rolou a definição, ou o convite, para a galera que participou?
Storyteller: O Daniel Marques é meu irmão de coração, estamos sempre juntos na sessão, somos amigões de verdade e nessa época eu estava voltando a filmar depois de um longo hiato. Os outros caras como o Henrique Crobelatti, Guiri Reyes e o Renato Riguetti, estavam pela área e colaram para andar junto. Foi pouca gente na verdade, até por que quando eu mostrava as fotos das pedras e falava que esse era o pico, poucos se dispunham a andar rs.

 

Vista: Fala um pouco sobre essa sua linha de trabalho mais poética, como rola esse processo de produção?
Storyteller: Sempre tive vontade de fazer algo com o quê fazia sentido pra mim. Na verdade, eu nem tinha ideia do que se tornaria o storyteller. No começo, quando soltei o vídeo “nada” com o Akira Shiroma, eu só juntei coisas que gostava e botei no mundo, teve uma repercussão grande e a galera achava que eu era só isso: vídeo de skate com poesia. Vesti um personagem disso com sua capa rosa, tipografia, tudo padronizado. Depois achei tudo isso uma bosta, pois entendo que a única constância da vida é a mudança, todos mudamos o tempo todo e ficar preso a um conceito só, seria meu fim. Fiquei um tempo sem produzir nada e agora venho me desprendendo disso tudo.

 

Vista: E agora, qual o próximo passo? Tem outros projetos no forno que vem por aí?
Storyteller: Tem. Estou produzindo um full lenght meu, bem quietinho, que irá chamar-se “nada de mais”. Tô fazendo sem alarde e no meu tempo, com pessoas que amo e de mente aberta, para que as possibilidades sejam infinitas. Não tenho pressão de chefe algum, não tenho pressão de que vão mandar a manobra que já filmei no mesmo pico, não tenho pressão de que as imagens irão ficar velhas, pois o que tento construir é atemporal, o skate pra mim é só uma ferramenta de reinterpretar o espaço, como meu amigo Klaus Bohms diz. Sendo assim, eu reinterpreto a minha própria metalinguagem, dando novos sentidos e inspirações ao que faço.

 

Vista:  E tem mais alguma coisa que você queira nos contar?
Storyteller: Eu queria dizer para todos alimentarem-se bem, meditar, excluir coisas tóxicas de sua vida, filtrar o quê não te deixa legal, fazer exercícios, cuidar do corpo, da mente e da alma, ler mais, ir no cinema, pintar, fazer terapia, jantar com os amigos, aproveitar a vida com quem se ama, dizer que ama quem você gosta, sua família, seus amigos. A vida é um sopro que vem da mesma forma que vai, portanto, vamos todos ficar presentes no agora e desfrutar de tudo que esse mundo maravilhoso pode nos oferecer.