Reciclagem Urbana

Andar de skate em lugares que a grande maioria das pessoas despreza é uma constante pra quem está acostumado a andar de skate na rua, seja lá onde for.

Todo skatista de rua é um reciclador de espaços urbanos abandonados pela massa, esse é o pensamento diário do profissional Marcelo Garcia de Florianópolis/SC. Ainda mais quando ele se juntou com Lucas Bellaguarda, Gabriel Mafra, Santiago Brandimarti, Paulo Lima, Felipe Alves, Jonatah Francisco, João Padilha, Gabriel Caldana, Marcio Bicaco (que fez todo o som do filme tocando coisas que achou na rua) e Gabriel Rocha que fez as filmagens aéreas), que tinha a mesma ideia sobre essa realidade de todos nós skatistas de rua.

 

 

O resultado é o vídeo e a instalação Reciclagem Urbana que acabou sendo exposta no C.I.C. em Florianópolis/SC agora em novembro de 2019 e estamos compartilhando aqui o vídeo e algumas fotos da instalação. Veja o vídeo completo no youtube da VISTA e escute o áudio do Marcelo Garcia explicando de onde veio a idéia, vídeo e a exposição. Abaixo segue o texto que foi usado na instalação, explicando a concepção toda.

 

 

reciclagem: substantivo feminino

Formação complementar dada a um profissional, para permitir-lhe adaptar-se aos progressos industriais, científicos etc.

Ato ou efeito de se recuperar a parte útil dos dejetos e de reintroduzi-la no ciclo de produção de que eles provêm.

Ato ou efeito de se reprocessar uma substância, quando sua transformação está incompleta ou quando é necessário aprimorar suas propriedades ou melhorar o rendimento da operação como um todo.

Alteração de reciclagem.

O SKATE COMO RECICLAGEM URBANA

Tendo em vista o crescimento desordenado dos seres humanos e sua transformação excessiva de matéria prima em produtos para sustentar seu atual sistema econômico percebemos em um curto ciclo de espaço-tempo a quantidade absurda de matéria descartada como “lixo”.

 

 

Mas o que é lixo?

Segundo o dicionário a primeira definição dada para a palavra LIXO é: “qualquer matéria ou coisa que se joga fora por não ter utilidade”. Refletindo um pouco sobre isso pensamos que o ato de “jogar” não transforma uma matéria em lixo ou não, mas sim o fato de essa matéria ter UTILIDADE para algo ou alguém, algo já pode ser um lixo antes mesmo de ser descartado ou não ser considerado lixo por alguém ou um grupo mesmo já tendo sido “jogado fora”.

Então, para nós lixo é aquilo que não tem/está com uso. Trazendo uma variável de utilidade para um objeto poder ser ou não classificado como lixo…

Ai entra o conceito mágico da reciclagem na ressignificação da matéria e o uso do skate no espaço urbano. Se lixo é matéria sem uso e reciclagem e dar um novo uso, ressignificar, aprimorar qualquer matéria para melhorar sua utilidade podemos começar a pensar que a utilização do espaço público é uma RECICLAGEM URBANA pois estamos dando uma utilidade (muitas vezes nova) aos espaços que foram arquitetados para diversos  outros fins e que muitas vezes são encontrados abandonados pelo poder público e sem uso pela população, ou seja se encontram no estado de “LIXO”.

O skate teve origem nas ruas, e seu desenvolvimento se deu na evolução da interpretação do espaço, agregado ao desenvolvimento de novos movimentos (manobras) então sua essência já é a reinterpretação, e por estar desde o início se apropriando de locais que não foram desenvolvidos/arquitetados originalmente para esse fim mas que possibilitaram essa interpretação somos recicladores desde o princípio, buscando locais em desuso ou trazendo novos usos para os locais.

Escute também o podcast:

por Marcelo Garcia