Segregação Social Geograficamente Escancarada (SSGE)

Há poucos dias encontramos, sem querer, uma “pedra rara” pra gente.

Rodrigo Trompaz, 30 anos, é skatista desde os 10, leitor e seguidor fiel da Vista. Trompaz entrou em contato com a gente dizendo que observa e acompanha nosso trabalho pelas ruas a fora e coleciona edições da Vista há um tempo e nós, consequentemente, decidimos também acompanhar o trabalho dele. Hoje apresentamos aqui no site seu incrível jeito de se expressar e dar voz a população pobre e periférica.

Rodrigo se definiu pra gente como uma pessoa curiosa e observadora desde criança. Nasceu e cresceu na periferia e viu muita coisa acontecer o que o levou a ter muita história pra contar e encontrou a arte como o melhor meio para isso. Agora, passamos a voz para Rodrigo para que ele possa explicar nos mínimos detalhes sobre o que se trata e o que significa cada linha em seu trabalho.

Segregação Social Geograficamente Escancarada (SSGE)

Esse é o título do meu trabalho, que remete a toda desigualdade social/residencial presente escancaradamente no Brasil. Geralmente, deixo nítido a precariedade das moradias, evidenciando elementos que contribuem para o entendimento do fator “risco” que os residentes desses locais passam todos os dias, muitas vezes a vida inteira.

 

 

A solidão é fortemente presente em grande parte das minhas criações, realmente é assim que a população carente vive, é caminhar com a morte 24 horas por dia. Portanto, busco trabalhar a percepção das pessoas. Na maioria dos casos, utilizo uma cor de fundo e outra para os traços do desenho em si (apenas duas cores), consequentemente acredito que esse processo muitas vezes obrigue mais as pessoas a pararem e olharem de fato o que se trata, pois com o avanço tecnológico, muitas coisas ficaram rápidas, práticas e por consequência, muitas vezes não despertam uma real interpretação. Sim, é lamentável.

Mesmo eu me referindo ao Brasil, muitas vezes, crio situações que não condizem diretamente com fenômenos naturais aqui presentes, porém o intuito é estimular o raciocínio e abrir os olhos de quem observa. 

 

 

Ex: Casas muito próximas de um vulcão – representa uma área de risco, algo que a qualquer momento pode deixar de existir, e ser apenas mais uma favela extinta, sem grandes comoções do governo. Ou até mesmo uma favela isolada em uma ilha – representa a solidão, a ausência de recursos básicos, e também a proximidade com a morte.

São diversos trabalhos, sem utilização de régua, se referindo a falta de projetos arquitetônicos pra população carente, portanto, é natural observar traços circulares e a falta de perspectiva, tudo propositalmente, pois na vida real, muitas vezes, os projetos são improvisados, utilizam o que tem, o que é mais prático ou mais barato na criação de uma casa, não existe uma real possibilidade de escolha pra construir uma casa resistente, sofisticada, digna.

É nítido que grande parte da população vive em condições precárias, porém não vejo um real avanço quando o assunto é fazer algo em prol dessas pessoas, a pobreza é escancarada, é geográfica, é evidente na frente dos nossos olhos e realmente fingir que está tudo bem não vai contribuir. Empatia é mais que fundamental no momento. A minha arte é um grito por essas pessoas, é uma contribuição para que elas deixem de ser esquecidas, elas existem e precisam urgentemente de ajuda, precisam do básico, nem o mínimo elas possuem. O governo exclui o povo pobre com as suas políticas sociais, a minha indignação referente à isso, está contida/presente nas minhas criações.

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