Vivendo a viagem – VISTA 59

Publicado em 10/03/2022

Sabe quando você conhece uma pessoa sem ter uma mínima referência, e que, depois de conhecer, você descobre várias coisas em comum? Clichê. Mas é claro que o ponto de partida é o nosso brinquedo eterno, e, claro também, que se não fosse ele, nem conheceria a Helen.
Enfim, uma arquiteta com formação em história da arte e muito interesse pelo Brasil, passou 5 meses na América Latina, sendo quatro deles aqui. Viajou bastante, e nas primeiras semanas, tinha sempre um roteiro por museus e lugares com importância para uma arquiteta dedicada. Ela desenhou, fotografou e escreveu bastante sobre o Brasil.
De quebra, fez um texto exclusivo para uma revista suíça que resolvemos
compartilhar aqui. Porque na Vista, pode tudo, não é mesmo?

 

VIVENDO A VIAGEM

Helen Wyss


Helen Wyss / Foto: Renato Custódio

Já que nunca realmente fico em um lugar, constantemente tenho o sentimento de estar viajando. Contudo, tem momentos nos quais tenho uma casa fixa e momentos nos quais estou viajando de modo comum, sempre acompanhada pelo meu trabalho e o meu skate.

Os meus olhos, os meus pés e o meu skate me levam pelas travessas e pelas ruas, passando prédios, até praças, parques e ao mar. Desenhando, fotografando e escrevendo, capturo os momentos que quero guardar na minha memória.

Para mim, viajar é conhecer a uma cultura o mais profundamente possível e integrar-me nela o máximo possível, a fim de compreende-la melhor e vivencia-la mais intensamente. Os meus olhos, os meus pés e o meu skate me levam pelas travessas e pelas ruas, passando prédios, até praças, parques e ao mar. Desenhando, fotografando e escrevendo, capturo os momentos que quero guardar na minha memória.


Croquis: Ouro Preto, Salvador e Pampulha / Por Helen Wyss


Helen Wyss / Foto: Renato Custódio

No enfoque das minhas viagens estão, por um lado, a cidade, arquitetura, arte, pessoas e a língua delas, e por outro, o skate. As duas coisas são inseparáveis e tem a mesma importância para mim. Sem skate a cidade seria simplesmente o que é para um turista “normal”, com o skate se percebe a cidade de uma maneira totalmente diferente.

As fotos minhas que o Renato fez refletem exatamente o que viajar significa para mim: com o meu olhar, os meus pés e o meu skate descobrir e vivenciar cidades, a arquitetura, as praças, os parques e a arte, além de conhecer e compreender os moradores.

O skate te guia não só no centro histórico, mas também em bairros distantes – quer ricos, quer pobres, quer bonitos, quer feios –, nas melhores festas, te leva a conhecer os locais e a vezes até a casa de um skatista bonito… Que tem melhor que andar, sozinha ou com amigos, com o skate pelas ruas duma grande cidade? Sem a cidade e tudo o que ela traz consigo – prédios, monumentos, materiais, formas, estruturas, humanos, plantas, animais, cheiros, sons – o skate nunca seria o que é realmente para mim, por isso evito pistas de skate, isoladas e sem caráter.

Croqui de Salvador / Por Helen Wyss


Helen Wyss / Foto: Renato Custódio

A minha última grande viagem, da que acabo de voltar a Europa, foi pelo Brasil. A base da viagem de cinco meses por este pais tão impressionante era São Paulo, Meca de skate e o Nova York da América Latina;* ou melhor, a base era a casa do fotógrafo de skate Renato Custodio, que fez estas imagens minhas e a quem devo muito. Entre outros ele me conectou com skatistas em tudo Brasil, de modo que não tive só sessões boas em São Paulo, mas também sessões inesquecíveis com gente muito fina em Brasília, Salvador e no Rio.

Croqui de São Paulo / Por Helen Wyss

Parte da minha viagem pelo Brasil fizeram as duas saltadas a Buenos Aires e Chile, onde fui visitar amigos, andar de skate e surfar. Em Buenos Aires, onde morei em 2007, andei pelas ruas da capital argentina com as minhas “velhas” amigas de skate e participei do maior evento de skate feminino de América Latina como juíza. Uma vez mais fiquei impressionada da quantidade de skatistas femininas argentinas, brasileiras e chilenas e do nível muito alto delas.

Helen Wyss / Foto: Renato Custódio

As fotos minhas que o Renato fez refletem exatamente o que viajar significa para mim: com o meu olhar, os meus pés e o meu skate descobrir e vivenciar cidades, a arquitetura, as praças, os parques e a arte, além de conhecer e compreender os moradores.

Helen Wyss / Foto: Renato Custódio